Entrevistei a minha mãe, chamada Zenilda, no fim de semana, mais
especificamente no dia 18 de março. Só fui contar a ela sobre a
disciplina e a sua proposta na sexta-feira, dia 16. Aparentemente, não
curtiu tanto a ideia de ter que falar da sua vida. Talvez tenha pensado
que não teria o que falar. Na entrevista, chegou a pedir para
entrevistar o namorado dela, que teria uma história de vida melhor. Logo
disse que não existe isso de “história melhor”, a história de cada um
de nós é única e não há melhor nem pior nesses casos.
Minha mãe mora com o namorado, o Antônio, no Jaraguá. Moram juntos desde o ano passado. No Jaraguá em si desde 1995, mais ou menos. Ela não guarda datas exatas. Eu volto para casa a cada duas semanas, pois moro em SBC por causa da UFABC. Isso desde 2015, ano de ingresso.
Contei a ela sobre a entrevista na sexta, deixei sábado passar sem mencionar nada a fim de dar um tempo de assimilação e pensamento. Coincidentemente, Antônio foi convidado para uma festa, a qual compareceu, deixando-nos sozinhos. Assim foi até melhor, pois ela disse coisas que talvez não falaria na presença dele, embora essas coisas eu não vá incluir na pesquisa. Serviu, contudo, para saber mais da minha mãe e suas motivações e desejos.
Ela me perguntou o que deveria falar. Tentei deixar o tema em aberto, respondendo que era para falar da “história da sua vida”, e daí cometi algo que talvez possa ter colocado um peso para uma direção, uma desvirtuação da entrevista. Dei um exemplo do trabalho que teríamos que fazer (a de relacionar a história de vida dela com a história do Brasil), mencionando a migração dela de Pernambuco para São Paulo. Com essa informação, o que ela mais falou foi justamente da vinda dela para SP, como se isso fosse a única coisa que poderia ser mencionada como parte de sua trajetória. Não sei, talvez para ela seja exatamente isso, mas fiquei com a impressão de que ao ter dado o exemplo da migração, ela tenha se agarrado a isso e só tenha relatado sua trajetória a partir da migração. Eu sabia que ela tinha muito mais o que contar, mas ela acabou não mencionando.
Daí que não teve como fazer uma entrevista aberta, em que eu não fizesse tantas perguntas. Brevemente ela contou do seu nascimento até a vinda para SP, dizendo do seu estabelecimento na cidade e os empregos por onde passou. Não mencionou, nessa parte, meu pai, não mencionou que construiu a casa na Parada de Taipas e que teve que sair de lá por conta do Rodoanel, entre tantas outras coisas. Talvez o conceito de entrevista para ela seja mais o formato de que o entrevistador pergunta e a entrevistada responde às perguntas.
Contudo, considero que foi uma boa conversa. Há diversos pontos a serem abordados a partir da história de minha mãe. Além disso, a entrevista serviu como uma forma de a gente dialogar, visto que, ao longo da nossa convivência, não tivemos tantas conversas longas e profundas. Isso, segunda ela própria, é fruto da mãe dela (e talvez da mãe da minha vó), que não abria espaço para qualquer tipo de conversa que não fosse as tarefas a serem cumpridas pelos filhos. Um não-diálogo passado de uma geração para a outra.
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